Actualização da Classificação de Ocupações

Resumo da primeira parte da investigação sobre Classificações Socioeconómicas, que abrange a actualização das Classificação das Ocupações e das Classes Sociais, utilizadas nos estudos da Marktest.

Este documento dedica-se à actualização da grelha de Classificação das Ocupações.

Enquadramento Metodológico e Objectivos

A Marktest actualizou, para 2026, a sua grelha de classificação socioeconómica (GOs – Grupos Ocupacionais), de acordo com os seguintes objectivos principais:

  1. Acompanhamento da Evolução Sociodemográfica:
    Ajuste necessário face ao surgimento de novas tipologias profissionais e às evoluções sociológicas e económicas em Portugal que, em conjunto, geraram transformações estruturais do mercado de trabalho.
  2. Maior Normalização Estatística:
    Compatibilização máxima possível com a Classificação Portuguesa das Profissões (CPP) do INE
  3. Classes Sociais actualizadas:
    Actualização, na etapa seguinte da investigação, da grelha de classificação de Classes Sociais da Marktest, onde se inclui os Grupos Ocupacionais.

Fundamentação e Evolução do Modelo

Esta actualização faz parte da linha de investigação estatística regular da Marktest, para assegurar a actualização dos seus dados e sistemas.

Em 1993, a Ocupação/Profissão foi identificada como uma das sete variáveis proxy estatisticamente mais discriminantes para a estimação do Rendimento Médio Familiar, base para a Classificação Social aplicada aos estudos da Marktest.

Em 1998, o modelo evoluiu, para incorporar a Situação na Ocupação nos Grupos Ocupacionais (GOs). Este refinamento permitiu aumentar a granularidade da análise, distinguindo, dentro da mesma categoria profissional, diferentes estatutos (ex: diferenciação entre proprietários e empregados na mesma actividade), conferindo maior precisão à segmentação socioeconómica).

Mais recentemente, o INE realizou uma profunda remodelação nesta área, com a adopção da Classificação Portuguesa de Profissões (CPP2010), para harmonização com as orientações da União Europeia, a qual foi utilizada no recenseamento da população de 2021, fonte estatística mais recente, para o desenho dos estudos da Marktest.

Paralelamente, tornava-se também necessário incorporar novas profissões e ajustar as já existentes, assegurando que os nossos estudos acompanham as evoluções da estrutura socioeconómica actual.

O tempo decorrido, as alterações na dinâmica e na textura do mercado de trabalho, e as novas categorizações do INE, foram então a base para mais uma abordagem de investigação da Marktest sobre as estruturas de classificação nesta dimensão.

O processo de investigação

Figura 1 – Etapas da investigação, na primeira fase dedicada aos Grupos Ocupacionais

Fase 1 – Actualização da classificação de Ocupações

A primeira etapa da investigação focou-se na actualização técnica das Ocupações, tendo-se procedido à definição de uma base de 76 segmentos de ocupações, com o objectivo da máxima harmonização com a classificação de profissões do INE.

Importa referir que a abordagem da Marktest relativamente às Ocupações assenta na definição de uma segmentação socioeconómica que procura hierarquizar o valor económico associado a cada grupo. Esta lógica distingue-se da classificação do INE, que privilegia sobretudo a área de ação profissional e, por essa razão, apresenta uma menor capacidade de discriminação do valor económico.

Para este trabalho minucioso, muito contribuiu a experiência acumulada das equipas técnicas da Marktest, resultante do histórico e experiência na análise e classificação de dezenas de milhar de entrevistas ao longo dos anos, que abrangem uma ampla diversidade de situações reais dos portugueses.

Um dos focos centrais desta actualização foi a compatibilização máxima dos segmentos da classificação da Marktest com os 130 segmentos de nível 3 da CPP2010 do INE, já atrás referido. Este alinhamento permite reflectir com maior fidelidade a realidade actual, nomeadamente o impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na estrutura das profissões.

Adicionalmente, este alinhamento permite recorrer às quantificações de cada segmento, a partir dos dados oficiais da população, contribuindo assim para um aumento do rigor estatístico na representatividade dos estudos da Marktest (Quantificação de sub-universos, desenho de amostras, calibragem de dados, etc.).

Entre a classificação da Marktest e a CPP do INE foram aplicadas correspondências de dois tipos:

  • Correspondência Directa - 60 segmentos:
    Verificou-se uma compatibilidade total entre 60 segmentos da Marktest e a norma CPP2010 do INE, cobrindo 93% do universo amostral das entrevistas.
  • Agrupamento Estatístico – de 14 segmentos para 6 agregados:
    Os 14 segmentos Marktest restantes, sem correspondência unívoca directa, foram reorganizados em 6 novos agregados, garantindo a consistência estatística com as matrizes do INE.

Na estrutura final, o sistema consolidado compreende, então, um total de 66 segmentos operacionais.

Fase 2 - Implementação dos Grupos Ocupacionais 2026

Concluída a actualização da nova grelha das ocupações, agora com a máxima compatibilização possível com o INE, a fase seguinte incidiu na reorganização da afectação destas categorias aos Grupos Ocupacionais (GOs), os quais mantêm, genericamente, a sua estrutura:

Esta estrutura, mantendo-se muito próxima, no nível superior, compreende agora uma reestruturação interna. Esta etapa integra as variáveis sociodemográficas complementares, já utilizadas nas versões anteriores da classificação:

  • Grau de instrução
  • Situação profissional

Estas duas dimensões foram incorporadas em 1993, para cada grupo reflectir com maior rigor a estratificação social portuguesa, ao assegurar uma identificação mais rigorosa do valor económico para uma mesma profissão. Exemplo: uma pessoa que se identifica como cabeleireira, mas com 10 empregados, tem uma classificação distinta de uma cabeleireira que trabalha por conta própria.

A classificação destas categorias obedeceu a critérios estritos, cruzando a natureza da função profissional com as seguintes situações profissionais:

  • Trabalhador por Conta Própria (TCP)
  • Trabalhador por Conta de Outrem (TCO)
  • Entidades Empregadoras (Patrões)
    • segmentadas pela dimensão empresarial (número de trabalhadores).

Na nova categorização dos GOs, estas duas dimensões (Grau de Instrução e Situação profissional) passam a ter um papel mais amplo. Passam a possibilitar clarificar também as diferenças entre, por exemplo, indivíduos com a mesma profissão, mas diferentes níveis de escolaridade. Exemplo: um ‘Solicitador’ (Categoria 2611.2, no CPP do INE) que seja bacharel e um outro que seja licenciado, são agora alocados a diferentes GOs (respectivamente ao GO2 e ao GO1).

A reorganização agora aplicada resultou, assim, na mobilidade de várias sub-categorias, entre os GOs 1, 2, 3, 4 e 5, que segmentam a população activa, com os fluxos representados sinteticamente no diagrama seguinte:

Figura 2 – Mobilidade das subcategorias que constituem cada GO da grelha anterior para a grelha 2026.

Os GOs de Inactivos – GO7, GO9 e GO10 – mantêm-se inalterados, dado já terem sido anteriormente actualizados, com o censo de 2021.

Com esta reorganização, as dimensões médias de cada GO, naturalmente sofrem alterações, representadas nos gráficos seguintes.

Figura 3 – Comparativo da dimensão dos GOs entre a grelha anterior e a grelha 2026.
Dados de Bareme Rádio 2023 - 16 000 entrevistas.
Figura 4 – Variação percentual após nova grelha 2026.
Dados de Bareme Rádio 2023 com 16 000 entrevistas.

A rearrumação dos segmentos que compõem os cinco GOs de Activos (GO1 a GO5) resulta numa ligeira redução do número de activos alocados aos GOs 1, 3 e 5, uma redução mais relevante no GO2 (principalmente devido à alteração da composição deste grupo, com a saída dos pequenos proprietários) e um aumento assinalável do número de indivíduos classificados no GO 4. Os três grupos de Inactivos mantêm a sua estrutura anterior, pelo que não sofrem alterações nas suas dimensões.

Resultado final

Com esta actualização, é reforçado o rigor da classificação sociodemográfica dos estudos, com a quantificação dos segmentos da população activa mais alinhados com as mudanças ocorridas na estrutura da população.

Adicionalmente, também ficam facilitadas as futuras actualizações. E com maior rigor porque, a partir desta reformulação, passa a ser possível utilizar as actualizações de dados do INE, relativos à Classificação Portuguesa das Profissões, para as dimensões de cada GO.

Informações e Suporte técnico:

Pedidos de informação, comentários ou sugestões deverão ser encaminhadas para [email protected].

Download em formato PDF

Marktest
Janeiro de 2026